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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O Ibope errou de novo e ninguém ficou tão irritado




O Ibope errou mais uma vez no resultado final das eleições em Rio Branco e ninguém se manifestou pelas redes sociais, questionou ou ficou tão irritado, como vimos ontem na análise feita com a opinião do jornalista Augusto Nunes. 

O Instituto previa uma vitória de Marcus Alexandre no primeiro turno com 60% dos votos válidos. O petista se elegeu com 54,87%, praticamente 6 pontos de diferença do que foi divulgado, 3 a mais da considerada margem de erro da pesquisa para mais ou para menos.

A previsão do instituto esteve dentro da margem de erro com relação aos candidatos Eliane Sinhasique e Carlos Gomes. A primeira candidata, do PMDB foi a segunda colocada com 32,02% dos votos válidos, a previsão da última rodada de pesquisa Ibope era de 29%; e Carlos Gomes que aparecia com 4% obteve 8,28% dos votos.

No caso de Raimundo Vaz (PR) o erro foi para menos, mas dentro da margem considerável. A previsão do Ibope era que Vaz tivesse 7% dos votos válidos e Vaz chegou na reta final da campanha com apenas 4,84% da preferência do eleitorado.

Para calcular esses votos (válidos), são excluídos da amostra os votos brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos. Mesmo sem essa exclusão, o instituto não acertou o resultado que foi amplamente divulgado nos meios de comunicação sempre favorável ao candidato Marcus Alexandre.

Na eleição de 2012, o Ibope errou feio em praticamente todas as pesquisas. Esse histórico de erro chegou até a animar a candidata Eliane Sinhasique, mas este ano, pelo menos em uma coisa a instituição acertou: não teve Segundo Turno, mas será que não existe algo de errado nessa relação duvidosa?

Há um debate em curso sobre os resultados de pequisa x pleito, pesquisa eleitoral e divulgação, legislação e regulamentação. Os pesquisadores querem criar um conselho de auto-regulamentação da atividade para que, somado à legislação, contribua para a transparência da atuação dos institutos de pesquisa durante o processo eleitoral.

Essas foram algumas das conclusões do debate, nem sempre de consenso, realizado entre representantes dos principais institutos de pesquisas brasileiros em encontro promovido pela Sociedade Brasileira de Pesquisa de Mercado (SBPM) e pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep).

Na minha opinião, as pesquisas de intenções de voto no Brasil, induzem nitidamente o eleitorado, conduzem a mente do eleitor brasileiro ao manifestar a sua preferência, influindo nefastamente no resultado do pleito.

Esse resultado é fruto de outro erro, o educacional. Nós temos eleitores bem intencionados, mas, a maioria é analfabeto funcional, pessoas que sabem ler e escrever, conhecem letras e números, mas não sabem interpretar um texto por menor que seja. Isso é fato.

Com a escola não contribuindo, o conjunto de fatores é preocupante, o eleitor que não separa o joio do trigo, fica refém de oportunistas, demagogos, uma massa facilmente manipulada. É ai que entra o efeito das pesquisas de opinião pública muito mal divulgadas nas parcerias com os meios de comunicação pagos com recursos públicos.

Basta olhar as últimas pesquisas de opinião pública para observamos, outro fator preocupante, principalmente em nível nacional, que é uma verdadeira polarização das disputas. Nas eleições presidenciais, há tempos observamos PT e PSDB na dianteira. Isso tem sido repassado aos estados e municípios com essas ou outras siglas. Os dados são científicos, comprovam que desde o advento das pesquisas, a maioria dos eleitores não se divide em mais de dois candidatos, como antes. Agora, com essa indução ao resultado, colocando os dois primeiros candidatos em posição bem distante dos demais, a opção fica extremamente reduzida.

É aquele velho ditado, o eleito não vota em quem está atrás, não quer perder o seu voto. Assim, desde a publicação das primeiras pesquisas que muitos candidatos com bons nomes até são alijados do processo, desistem de candidaturas. É preciso aperfeiçoar esse mecanismo e por que não dizer, a cultura brasileira. 

Em outras palavras, a raiz é a educação.


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