É até redundante falarmos da acachapante derrota do PT
nessas eleições e o crescimento da oposição tanto em nível regional como
nacional, o cenário foi o mesmo. Mas o que realmente podemos tirar como lição
das eleições do último domingo?
Tudo leva a crer que o eleitor acreano começou a premiar
quem faz boa gestão. E por outro lado, decretou a morte do estilo petista
radical, polarizador, de confronto. Olhem a vitória de Marcus Alexandre no
primeiro turno, na capital.
Diferente da forma autoritária dos irmãos Vianas se
apresentarem, quase como uma figura paternal, um poderoso chefão, Marcus
Alexandre chamou o povo para trabalhar junto com ele, “chega junto” e
acrescentou a esse apelo, o fato de ter sido um petista paz e amor durante os
primeiros quatro anos de seu governo.
Coloca-se neste fardo ainda, outra realidade, Marcus
Alexandre contou com a ajuda do governo federal e do governador Sebastião Viana
para fazer uma gestão de resultados. Lógico que não cumpriu com tudo que
prometeu em sua primeira campanha, o estelionato eleitoral também fez parte dos
programas de rádio e tv deste ano, mas conseguiu repassar uma imagem de
trabalhador, de enfrentador dos problemas.
Em um contexto de profunda descrença em relação à política,
a figura do gestor encantou o eleitorado. Ao se afastar de quem poderia melar
essa credibilidade – entre as figuras o próprio governador Sebastião Viana – o
prefeito Marcus Alexandre não precisou de muito esforço para confirmar seu
favoritismo.
Em Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade do estado, o
resultado foi semelhante, embora por lá Vagner Sales e sua tropa tivesse a dura
tarefa de transferir votos, elegeu sem dificuldades Ilderlei Cordeiro e
Zequinha Lima. O resultado é fruto de sua boa gestão. De um político presente
nos barrancos dos rios e da vida de seus ribeirinhos e que contou ainda com o
prestígio de um senador muito bem avaliado: Gladson Cameli (PP-AC).
Por que o PMDB e a oposição não sustentaram as prefeituras
de Brasileia e Xapuri? Por má gestão. Everaldo Gomes assistiu as eleições
afastado de suas funções políticas acusado de participar de um poderoso esquema
de desvio de verbas públicas. Marcinho Miranda, de Xapuri, estava entre os
prefeitos com o mais alto índice de rejeição.
Em Feijó, Mêrla Albuquerque fez uma gestão pífia, muito
longe do modelo de resultados dos gestores petistas. Com diz o técnico Murici
Ramalho: “a bola pune”. E puniu mesmo. Vai deixar a cadeira para o progressista
Kiefer Cavalcante.
Rodrigo Damasceno é o único entre os prefeitos não reeleitos
que talvez tenha sido vítima do voto anti-PT, o voto contra a corrupção,
embalado pela onda da Lava Jato. Tinha uma gestão de resultados, contou com
verbas federais, realizou grande obras, mas não conseguiu se afastar da
rejeição do partido em todo o Brasil. Perdeu no comando da prefeitura para
Marilete Vitorino, do PSD.
E não se trata aqui de menosprezar o peso político dos
candidatos citados. Mas de uma análise para que possamos arriscar a tendência
eleitoral de 2018. O eleitorado acreano vai convergir para aquele que melhor se
apresentar como um “gestor não político” e que conseguir realizar uma campanha
extremamente bem sucedida, vender a imagem de alguém sem “rabo preso” com
“velhos candidatos” e que seja capaz de fazer um “choque de gestão”.
Querem um bom exemplo dessa tendência, analisem os
resultados da eleição em Salvador, na Bahia. ACM Neto – com todo o histórico de
coronelismo do avô – venceu as eleições no primeiro turno com mais de 73% dos
votos válidos após fazer um arrojado ajuste fiscal na prefeitura. Engana-se
quem pensa que o eleitor não está atento as atitudes.
O povo está cansado do político profissional rodeado de puxa
saco.

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