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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Eleitor acreano premiou bons gestores e decretou o fim do petista truculento



É até redundante falarmos da acachapante derrota do PT nessas eleições e o crescimento da oposição tanto em nível regional como nacional, o cenário foi o mesmo. Mas o que realmente podemos tirar como lição das eleições do último domingo?

Tudo leva a crer que o eleitor acreano começou a premiar quem faz boa gestão. E por outro lado, decretou a morte do estilo petista radical, polarizador, de confronto. Olhem a vitória de Marcus Alexandre no primeiro turno, na capital.

Diferente da forma autoritária dos irmãos Vianas se apresentarem, quase como uma figura paternal, um poderoso chefão, Marcus Alexandre chamou o povo para trabalhar junto com ele, “chega junto” e acrescentou a esse apelo, o fato de ter sido um petista paz e amor durante os primeiros quatro anos de seu governo.

Coloca-se neste fardo ainda, outra realidade, Marcus Alexandre contou com a ajuda do governo federal e do governador Sebastião Viana para fazer uma gestão de resultados. Lógico que não cumpriu com tudo que prometeu em sua primeira campanha, o estelionato eleitoral também fez parte dos programas de rádio e tv deste ano, mas conseguiu repassar uma imagem de trabalhador, de enfrentador dos problemas.

Em um contexto de profunda descrença em relação à política, a figura do gestor encantou o eleitorado. Ao se afastar de quem poderia melar essa credibilidade – entre as figuras o próprio governador Sebastião Viana – o prefeito Marcus Alexandre não precisou de muito esforço para confirmar seu favoritismo.

Em Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade do estado, o resultado foi semelhante, embora por lá Vagner Sales e sua tropa tivesse a dura tarefa de transferir votos, elegeu sem dificuldades Ilderlei Cordeiro e Zequinha Lima. O resultado é fruto de sua boa gestão. De um político presente nos barrancos dos rios e da vida de seus ribeirinhos e que contou ainda com o prestígio de um senador muito bem avaliado: Gladson Cameli (PP-AC).

Por que o PMDB e a oposição não sustentaram as prefeituras de Brasileia e Xapuri? Por má gestão. Everaldo Gomes assistiu as eleições afastado de suas funções políticas acusado de participar de um poderoso esquema de desvio de verbas públicas. Marcinho Miranda, de Xapuri, estava entre os prefeitos com o mais alto índice de rejeição.

Em Feijó, Mêrla Albuquerque fez uma gestão pífia, muito longe do modelo de resultados dos gestores petistas. Com diz o técnico Murici Ramalho: “a bola pune”. E puniu mesmo. Vai deixar a cadeira para o progressista Kiefer Cavalcante.

Rodrigo Damasceno é o único entre os prefeitos não reeleitos que talvez tenha sido vítima do voto anti-PT, o voto contra a corrupção, embalado pela onda da Lava Jato. Tinha uma gestão de resultados, contou com verbas federais, realizou grande obras, mas não conseguiu se afastar da rejeição do partido em todo o Brasil. Perdeu no comando da prefeitura para Marilete Vitorino, do PSD.

E não se trata aqui de menosprezar o peso político dos candidatos citados. Mas de uma análise para que possamos arriscar a tendência eleitoral de 2018. O eleitorado acreano vai convergir para aquele que melhor se apresentar como um “gestor não político” e que conseguir realizar uma campanha extremamente bem sucedida, vender a imagem de alguém sem “rabo preso” com “velhos candidatos” e que seja capaz de fazer um “choque de gestão”.

Querem um bom exemplo dessa tendência, analisem os resultados da eleição em Salvador, na Bahia. ACM Neto – com todo o histórico de coronelismo do avô – venceu as eleições no primeiro turno com mais de 73% dos votos válidos após fazer um arrojado ajuste fiscal na prefeitura. Engana-se quem pensa que o eleitor não está atento as atitudes.


O povo está cansado do político profissional rodeado de puxa saco. 

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