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quinta-feira, 18 de maio de 2017

O Museu e um caso de amor, ninguém segura o Tião Viana!


Quanta maldade dos políticos de oposição que ignoram, como disse o líder do governo na Assembleia Legislativa do Acre, deputado Daniel Zen, o que diz a constituição sobre “acesso à cultura”. Esse foi o melhor argumento para Zen justificar gastos de R$ 32 milhões na construção do Museu dos Povos Acreanos.

Maldade porque além desse observatório à cultura, o governador Tião Viana pode entrar para a história por reunir em uma obra, além de “sentimento e competência”, uma história de amor pela primeira-dama, Marluce Cândido, idealizadora do grande projeto. Segundo a deputada Eliane Sinhasique (PMDB), o investimento milionário vai atender “a um capricho da primeira-dama”.

E que aferro obstinado!
Sim, porque de forma autoritária, digna de um coronel de barranco, Tião deixa de ouvir e atender milhares de acreanos que sofrem na fila do SUS por uma consulta, cirurgia ou até mesmo a realização de um simples exame, para atender a um sonho de arquitetura.

Isso sem falar na segurança pública onde centenas de jovens perderam a vida em função da guerra pelo controle do tráfico de drogas, violência desenfreada que bate a nossa porta todo santo dia.

Será que existe a “Santa da Coincidência?”
Neste governo sim. Católico praticante, Tião não faz mais que sua obrigação, estende uma mão amiga aos padres que, diga-se de passagem, silenciaram, parecem rezar para essa tempestade passar. Ai vem a bonança.

Vejamos:
Tião Viana autorizou o aluguel do prédio do antigo Colégio Meta por um ano no valor de R$ 600 mil, e segundo denúncias do vereador Roberto Duarte, pagou adiantado essa fatura por um espaço abandonado, utilizado por viciados em pleno centro da cidade.

O governo parceiro, de povo empreendedor, vai pagar R$ 6 milhões pela desapropriação do espaço. Embora as parcelas estejam, segundo a deputada Eliane Sinhasique, atrasadas, não haverá calote!

O que vale é a boa-fé!
O governo não tem culpa da licitação ter sido vencida pelo empresário Carlos Bandeira Domingos, investigado, segundo a deputada Sinhasique, por ter capitalizado a empresa Emot com recursos desviados da Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão de onde era servidor. Que dane-se os índios, o amor é pela Floresta!

A oposição é que não quer entender, ou melhor, fica com conspiração. Há muito esse governo vem dando sinais de “amor pelo povo do Acre”, este é mais um ato em que Tião, serve de todo o coração. Faz pulsar o vermelho.

Cante o refrão:

Vermelhou o curral
A ideologia do folclore
Avermelhou!
Vermelhou a paixão...
O fogo de artifício
Da vitória vermelhou



quarta-feira, 17 de maio de 2017

“Caixinha de joias” – Governo do Acre sofre surto cultural


O debate que vem sendo construído – pela pressão das redes sociais e não governamental – em torno da construção do Museu dos Povos Acreanos está centralizado na prioridade dada pelo governo do Acre para aplicação de R$ 12 milhões até junho de 2018, em cultura, projeto anunciado semana passada e que tem o crivo da primeira dama do estado, Marluce Cândido.

A crucificação foi imediata. A julgar pela reação das pessoas nas redes sociais, não se pode investir em um equipamento novo se outros estiverem em mau estado. E não se deveria investir tanto dinheiro em cultura se a saúde estiver na UTI.

Os internautas têm razão.

Não foi apenas o grupo de artistas de Teresina (PI) que bateu com a cara na porta do Museu da Borracha, em Rio Branco. Pesquisadores, historiadores, estudantes vivem essa realidade desde 2013. Quem vai à estrada do Amapá, interessado pela história de Plácido de Castro, também se depara com o completo abandono da história e do patrimônio público.

Ou seja, há muito, que os museus do estado do Acre se transformaram em coisa velha e empoeirada. Diante de um histórico como esse, o repentino interesse do governo em investir R$ 12 milhões em cultura é, no mínimo, estranho, soa mal aos ouvidos de quem nunca foi chamado para esse diálogo e pior, com previsão de desembolso nas vésperas de uma eleição.

Postagem da jornalista e historiadora Fátima Almeida, nos chama atenção para outro fato relevante. A atuação do Conselho de Patrimônio Histórico que, neste caso, deveria intervir para que o prédio construído pela Ordem Servos de Maria fosse tombado, restaurado para continuar com sua finalidade de ensino.

“Se houvesse um Conselho do Patrimônio Histórico, não aparelhado, com corpo técnico das belas artes - pintura, escultura e arquitetura - mais historiadores, e a legislação federal fosse cumprida, mais a estadual, o governador do Acre não transformaria o Colégio das Dores, de mais de meio século, num museu, dos Povos das Florestas, simplesmente porque ele quer” opina a historiadora.

Será o Museu dos Povos Acreanos mais uma “caixinha de joias?”

O Palácio Rio Branco peca por não ter aberto em momento nenhum um diálogo com a sociedade na prioridade de suas ações. O debate através das redes sociais institucionalizado após a pressão que o projeto cultural sofre, feito por detentores de cargos comissionados, deixa a desejar, não tem argumentos técnicos, científico. Esse governo age como um verdadeiro coronel de barranco.

Museu é bom para a saúde sim. Há estudos científicos que comprovam este argumento. Mas estes espaços têm que servi como uma abertura de diálogo com imigrantes, drogados, marginalizados. Essa é a verdadeira função de um Museu.