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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

O banquete em véspera de “dieta”



O almoço entre o governador eleito Gladson Cameli e seu vice, Major Rocha, no Novo Mercado Velho, na última segunda-feira (3), interpretado pela imprensa como o fim do mal-estar entre as duas maiores lideranças do Estado – por conta das nomeações do primeiro escalão do futuro governo – foi, na verdade, um banquete em véspera de dieta.

O cardápio: arroz, feijão, pirarucu, tambaqui e bife acebolado, não será o mesmo servido no primeiro ano de gestão. Cuidadoso, Cameli parece ter contratado um poderoso nutricionista com a missão de turbinar o emagrecimento da máquina pública. Em ato contínuo ao almoço ele anunciou a redução de 10 secretárias e a fusão de várias autarquias e fundações, diminuindo as calorias do Palácio Rio Branco sem direito a chocolate.

Embora a equipe de transição não tenha dito ainda quanto o Estado economizará com a reforma, a medida é mais que acertada e as condições nunca estiveram tão propícias quanto hoje, ocorrem de cima para baixo. Basta um simples olhar ao que vem sendo proposto por Jair Bolsonaro em Brasília.

A capacidade de intervenção na sociedade e os resultados dessa “dieta” a sociedade ainda vai experimentar. Gladson Cameli em recente consulta popular observou que conta com o otimismo de quase 100% da população questionada sobre às medidas que pretende tomar para tornar o Estado mais forte. Isso fortalece sua política tecnicista.

O ponto de equilíbrio nesse corte de “gorduras” é a relação com o legislativo, talvez uma das mais complexas tarefas de seu governo, difícil até de definir quando analisamos uma oposição vinte anos fora do poder. Tem grupo no deserto.

Tanta sede leva ao risco da tutela, o poder de dizer como os outros tem que funcionar ou de chegar ao Estado e achar que esse mecanismo pode fazer valer as suas decisões pessoais. 

Colocar as pessoas certas no lugar certo parece ter sido o jargão mais apropriado utilizado por Gladson Cameli para desencastelar vícios de gestões passadas. A ideia não é a de que eu colocando o “meu homem lá” vai resolver. Existe o que chamamos de lógica estatal, pressão social. Se tais fatores não estiverem presentes, a intervenção não será satisfatória e tal figura, por mais carismática ou mais partidária que seja, terá de desocupar o cenário. Cameli tem dito: "a caneta que nomeia é a mesma que exonera", afirmando que vai cobrar gestão de resultados.

Com paladar aguçado, até aqui Gladson Cameli têm sido quase perfeito na indicação dos nomes do primeiro escalão do futuro governo. Senadores, deputados federais e estaduais devem estar com faro nas ideias da sociedade que rejeita a tutela, um estado-babá muito presente na economia e que tem se alinhado à defesa dos costumes e do Estado menor, mais forte.

O debate promete ser longo. Nessa batalha, vamos precisar de muito feijão e arroz servidos com peixe, bife acebolado, as vezes com ovo frito. Para quebrar paradigmas a receita é o diálogo. 

A mídia é simpática a ideia contrária, costuma ouvir os dois lados. Ainda temos “aliados” e adversários encastelados, amantes de chocolate, indispostos a fazer qualquer tipo de “dieta”. 

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Chico Pereira, Manoel Suíca e Adalberto Martins deixam coletivamente o partido dos trabalhadores no Acre


“É um partido com pouca renovação” disse ontem, ao senador Gladson Cameli e o deputado federal Major Rocha, Chico Pereira, fundador do Partido dos Trabalhadores no Acre.

A expressão é um adeus ao PT, partido que Pereira ajudou a fundar. Durante agenda de pré-campanha de Gladson Cameli em Porto Acre, no último sábado, 26, Pereira pediu para sentar e na mesa do setor comercial da Vila do V, hipotecar total apoio a Aliança liderada pelo progressista.

A prosa foi a primeira conversa pública de Chico Pereira com um pré-candidato de oposição, após sua desfiliação da Frente Popular no final do ano passado. O sindicalista não escondeu que vem sendo pressionado a voltar para onde começou.

“Eu estava em Cruzeiro do Sul semana passada quando recebi um telefonema da executiva nacional do PT, pedindo explicações sobre a minha postura. Disse a eles que estava no Juruá fazendo campanha para Rosana Nascimento e Gladson Cameli. E acrescentei que minha decisão não tem volta”, desabafou.

Os charmosos cabelos brancos de Pereira condenam o tempo de lutas. A conversa pausada, olhar de experiência, mãos gesticuladas, conteúdo que revela o desgosto e o quadro de esvaziamento do apoio ao partido em seus redutos históricos. Por ironia do destino, a conversa estava sendo testemunhada por outro pioneiro e ex-petista, o Manoel Suíca.

“Pensei que ia ficar sozinho nesse bote, mas tem muita gente abrindo os olhos e pulando do barco” disse Suíca.

Os militantes acompanharam passo a passo, a extensa agenda de Gladson Cameli, Major Rocha e o senador Sérgio Petecão na Vila do V, Vila do Incra e, no principal reduto do PT na região, a cidade sede de Porto Acre.

O caso emblemático seria repetido por outro historiador, o Adalberto Martins, a quem coube, durante evento no Centro Comunitário, relatar detalhadamente à Gladson Cameli, a história de fundação e constituição de Porto Acre, através de um cenário que assim como o fictício, erguido pela poderosa rede globo durante a minissérie Amazônia – de Galvez a Chico Mendes – encontra-se totalmente abandonado.

“Esqueceram nossa cidade, a história de revolução que permitiu sermos brasileiros” disse Martins durante emocionante relato.

Aos olhos de moradores históricos, alguns produtores rurais da região do Caquetá e militantes, Gladson Cameli arrematou: “O Acre começa aqui, podem ter certeza que vamos nos esforçar ainda mais para ajudar no desenvolvimento de Porto Acre. Aqui tem um povo que luta, que tem fé, isso é uma referência para o nosso estado”, disse Cameli.