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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A vitória vermelha e oculta. O PT está em liquidação



Mesmo para os que ainda estão na tradicional balsa rumo a Manacapurú - cidade que embora fictícia nos contos eleitorais do Acre, existe, no Amazonas, com história ligada a Aldeia dos índios Mura -  a contabilidade dos votos e dos resultados das eleições municipais é uma rotina que ainda vai render muitas anotações e comentários nas próximas semanas. Afinal, finda uma estratégia e começa outra, assim os políticos profissionais agem, pensando sempre lá na frente, na próxima eleição.

Mas a pergunta que não quer calar é quem realmente ganhou as eleições que, embora municipais, desenha um novo mapa político no Estado entre as duas maiores forças políticas: a situação (comandada de dentro do escritório de Sebastião Viana) e a oposição (na visão dos diferentes partidos).

A mídia nacional se encarregou de responder essa pergunta quando coloca Rio Branco como o último rincão do PT no Brasil. E não foi à toa, fora nossa capital, apenas em Recife a sigla seguiu para disputa do segundo turno em desvantagem na soma total dos votos válidos. Nem em Salvador que em 2014 deu esmagadora vitória para a presidente cassada, Dilma Rousseff, a sigla foi capaz de se sobrepor a tempestade de escândalos envolvendo através do Mensalão e do Lava Jato, suas principais figuras, entre elas, Luiz Inácio Lula da Silva.

E não foi tarefa tão fácil assim livrar Marcus Alexandre dessa crise moral que o partido enfrenta nacionalmente. Além de se livrar do vermelho, da estrela e até diminuir o tamanho do número 13 em suas propagandas, a cúpula petista afastou o governador do Acre das inserções de rádio e TV e colocou Jorge Viana apenas na última semana de campanha, quando as pesquisas apontavam larga vantagem sobre seu principal adversário.

Há quem afirme que, nos bastidores, uma luta ideológica foi travada entre os irmãos Vianas e que tal exposição pode ter comprometido – mesmo com a expressiva votação com 54,87% dos votos – a indicação de Marcus Alexandre para eleição de 2018, como candidato da Frente Popular ao governo. Coisa que só o tempo irá esclarecer melhor.

A verdade é que a estratégia de ocultar a maior simbologia do partido em Rio Branco embora tenha dado certo, acende uma luz que já ultrapassa a cor vermelha em todo o estado. O PT que teve crescimento desde o ano 2000 nas eleições municipais, chegando a dominar mais de 70% das cidades acreanas, encolhe a cada pleito. Elegeu este ano além de Rio Branco outras três cidades: Xapuri, Brasileia e Mâncio Lima. Obteve o pior resultado político desde 2000, emplacou apenas 20% das cidades este ano.

Além disso, o partido perdeu o domínio político em duas importantes cidades: Feijó e Tarauacá. Exatamente as unidades federativas que garantiram em 2010 e 2014, a eleição e reeleição do atual governador Sebastião Viana. E o que é pior, perderam nessas regiões com a participação decisiva de dois senadores opostos: Gladson Cameli, do PP (que elegeu o prefeito de Kiefer Cavalcante de Feijó) e Sérgio Petecão, do PSD (que ajudou a eleger Marilete Vitorino em Tarauacá). Cada um dos senadores ainda fez mais um prefeito no Baixo Acre. No conjunto da ópera, a oposição papou 12 dos 22 municípios.

No Vale do Juruá, de onde deve sair o nome do próximo candidato ao governo, o PT fez apenas um prefeito, como já dito, em Mâncio Lima, cidade que tem pouco mais de 11 mil eleitores. Sena Madureira, o terceiro maior colégio eleitoral ficou com o PMDB.

Com a inclusão do nome do senador Jorge Viana na lista de suspeitos de beneficiados na Operação Lava Jato, o suposto “menino da floresta” intitulado na planilha de propinas da Odebrecht, tudo leva a crer que, embora o Acre ainda seja o último rincão do PT, a Frente Popular idealizada por Jorge e companhia estancou seu crescimento. A sigla vive como rabo de cavalo. O maior partido de massas que a esquerda já construiu na América Latina está em liquidação.




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