Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Jovens pedindo tornozeleiras na cidade da Justiça! Ninguém vai bater panelas?


Enquanto os excluídos da sociedade gritavam por tornozeleiras eletrônicas em frente a Cidade da Justiça, em Rio Branco, um punhado de puxa-saco batia palmas, viralizava pelas redes sociais, a postagem de Sebastião Viana, afirmando que “como governador” ofertou vagas sobrando nas escolas do Acre, nos últimos anos.

Santa hipocrisia. O Acre proporcionalmente é o estado que mais prende no país. A população jovem encarcerada chega a 80%. Na postagem seguinte, o mesmo estadista classifica a inauguração do presídio feminino, prevista para o dia 3 de novembro, como uma “boa notícia”.

Comemorar a inauguração de um novo presídio revela o paradoxo entre a propaganda estatal – para onde o estado desembolsa R$ 14 milhões por ano – e a dura realidade, a insegurança que tomou conta de cidadãos de bem e até daqueles que estão enrolados com a Justiça. Um retrato fiel do que foi a gestão petista nos últimos 20 anos. Duas décadas perdidas.

E ninguém, nem de esquerda, de centro ou de direita bateu panelas.

UJS, UNE, DCE, OAB, ninguém arriscou a defender o direito de segurança dos presidiários, a construção de mais escolas e não de presídios. É óbvio, os que lideraram esse tipo de movimento na briga pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, nunca passaram fome. Estão nas tetas do poder público, foram convocados a alimentar um complexo de superioridade sobre “os outros brasileiros”.

Esse foi um movimento dos medíocres que usaram panelas que nunca ficaram vazias. Por que ir para as ruas ou ocupar as janelas dos edifícios agora que tem do outro lado, não políticos, mas apenados?

O movimento pedindo tornozeleiras, embora tenha sido feito por pessoas que cometeram algum tipo de delito foi legítimo. Eles têm direito a dignidade e respeito. A reflexão aqui trata da importância de políticas que promovam a punição e a ressocialização, do papel do estado em promover políticas públicas de desenvolvimento. Mais educação.

Neste caso, nossos gestores mereciam um panelaço!

Enquanto o estado não se preocupar com isso, persistirá o triste espetáculo do “faz de contas”, com repercussão da reincidência e desprestígio das normas legais.

Na contramão, as facções vão criando as novas siglas, organizando no vácuo deixado pelo poder público, as escolas do crime. Uma delas criada em homenagem a esse governo: o Bonde dos 13.


Nenhum comentário: