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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Governo parceiro exonera 500 pais de família e bajuladores tentam terceirizar a crise


Há muito se discute no Brasil qual a verdadeira finalidade da manutenção na máquina pública de milhares de cargos comissionados, se não, a de servir como moeda de troca para presidente, governadores e prefeitos conquistarem apoio no legislativo.

A decisão do governador Sebastião Viana, que com uma única canetada exonerou mais de 500 cargos comissionados e funções gratificadas nesta segunda-feira (17), no Acre, mostra perfeitamente essa extensão das indicações políticas no estado. Ou seja, tirando as lamentações naturais – afinal a demissão é como um divórcio, tem lá seus altos e baixos – as engrenagens administrativas vão continuar funcionando normalmente e, talvez, até melhores.

Sim, porque o grande problema não são as indicações partidárias, isso é natural, mas o quanto a máquina pública suporta, quais os efeitos dessas nomeações na administração e na qualidade do serviço público, que muitas vezes é devastador.

O país enfrenta uma crise séria, os repasses foram contingenciados, as arrecadações caíram de forma vertiginosa, mas os efeitos desse cenário econômico são antigos. E não foi por falta de aviso que o governo do Acre manteve a máquina pública inflada por tanto tempo. Talvez tenha sido por capricho e até mesmo, estratégia para o resultado das eleições.

Por isso continuo afirmando que, a decisão para muitos acertada, para mim, é acrescentada de outro substantivo: golpe. Golpe a esses pais de famílias que, independentemente de serem ou não de esquerda, fieis ao projeto político ai instalado, são cidadãos, acreanos, brasileiros. Foram demitidos justamente depois que a maioria confirmou o favoritismo de Marcus Alexandre na capital e de outros interesses políticos nas cidades interioranas.

O governo pecou não pelo ato que busca o equilíbrio nas contas públicas, mas pelo lapso temporal da correção nos rumos da máquina pública.

Sabendo dos efeitos desse divórcio com o servidor público efetivo ou comissionado, o Palácio Rio Branco colocou um batalhão de internautas nas redes sociais tentando mudar o foco do debate. Ai todo mundo passou a ser culpado pela incompetência de Sebastião Viana e sua equipe econômica. Nessa terceirização da crise só faltou citar o Papa Francisco!

Ora meus amigos, nenhum membro da oposição, seja ele detentor de mandato ou assessor, militante, simpatizante e o que quiserem, destruiu a política fiscal desse estado. O principal responsável pela crise que demitiu os cargos comissionados e tirou funções gratificadas de servidores públicos é o governador Sebastião Viana.

Acrescenta-se culpabilidade à base de deputados que sustenta as ações do governo na Assembleia Legislativa, os que ajudaram a aprovar a criação de novos cargos sem se preocupar com os efeitos à longo prazo do inchaço da máquina pública. Mas lembrem: essa estratégia só funcionou porque o governador Sebastião Viana contribuiu com graves erros e equívocos.

A verdade é que o pau sempre quebra do lado mais fraco. Na Assembleia Legislativa tem uma penca de ex-deputados, ex-prefeito, aspones que ganham gordos salários, e nenhum entrou na lista oculta de demitidos.

Lista oculta, até agora o governo não disse quem demitiu, ainda não revelou de onde exonerou, ou de onde cortou, como bom médico que é, as gordurinhas.

Enquanto não fizerem uma profunda reflexão nos seus próprios erros, o PT e seus apaixonados vão se afundar cada vez mais perante a sociedade. O que assistimos desde ontem no Palácio Rio Branco é o resultado da combinação da crise econômica com erros políticos que quebraram esse estado.

Esse pacote de bondades do governador Sebastião Viana é puro oportunismo, ao tentar ficar bem na foto perante uma parcela da sociedade, pode sair pior do que o ex-governador Romildo Magalhães em popularidade.


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