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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Bilhetagem eletrônica a quem realmente interessa?




Eu concordo com a ação iniciada pelo vereador Fabiano Oliveira (PP) que esta semana pediu ao Ministério Público o retorno imediato dos cobradores de ônibus que foram retirados do seu setor de trabalho na chamada fase de teste do sistema de bilhetagem eletrônica.Têm-se notícias de que até nas grandes cidades, esse sistema vem sendo palco de muitas polêmicas e de desemprego e de uma série de reajustes na forma de funcionamento.

Mesmo que essa seja uma medida tecnológica, não podemos comparar o sistema de transporte coletivo de Curitiba, por exemplo, com o da cidade de Rio Branco. Eu acredito que a bilhetagem na nossa capital prejudica diretamente as famílias mais pobres, das chamadas classes C e D que utilizam diariamente o sistema de transporte público. Como o bilhete é intransferível, essas pessoas perderam o poder da partilha que permitia com o velho Vale Transporte que toda família utilizasse o transporte coletivo.

É como se dissessem olha, esse cartão tem um valor, mas só vai virar dinheiro no bolso dos empresários de ônibus!

Justamente os empresários que já foram beneficiados pelo parcelamento de suas dívidas, isenção de ISS e outros presentes dados pelo prefeito Marcus Alexandre.

Outra razão no debate puxado pelo vereador Fabiano Oliveira, diz respeito à legalidade da medida tomada pela RBTRANS. Ele argumenta que um paradoxo move a dupla função dos motoristas e que a medida coloca em risco a vida da população.

Para o progressista se o celular afasta o foco do trânsito o mesmo raciocínio deveria ser aplicado no caso de o motorista precisar devolver o troco ou receber dinheiro e dirigir simultaneamente. “Isso coloca a vida dos usuários e da população em risco” afirmou.

A verdade é que o motorista tem que assobiar e chupa cana, além disso, sofre a pressão para cumprir horário e metas. Esse acúmulo de funções tem aumentado comprovadamente o nível de estresse na categoria. Os cobradores foram desviados de suas atividades e estão sujeitos, como ocorreu em todas capitais que adotaram a Bilhetagem Eletrônica, a demissão em massa.

Resta saber como vai se comportar o Ministério Público Estadual diante da provocação feita pelo vereador. 

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