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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O ditado popular da BR 364: “não sei, não vi, ainda hoje é vivo”

Um antigo ditado que meu pai me ensinou, sempre que eu ia sair de casa, era responder – quando algum segredo era revelado a uma pessoa de extrema confiança – “não sei, não vi, ainda hoje é vivo”. 

Essa é a estratégia do Palácio Rio Branco com relação a situação precária da BR 364. Para não revelar os protagonistas desse triste episódio, que envolveu bilhões em recursos públicos, Sebastião Viana de forma inteligente, tenta culpar a oposição pelo fracasso da rodovia. Com isso, um dos principais engenheiros da obra, o atual prefeito de Rio Branco e candidato à reeleição a prefeitura da capital, Marcus Alexandre, fica blindado de qualquer suspeita.


Marcus Alexandre como bom paulista que é, aprendeu rápido a não revelar os segredos para os bisbilhoteiros da vida alheia, se mantém tácito. Tadinho, não é mais besta porque só é um.

Réu em processo que investiga esquema de sonegação de impostos por parte de uma das empreiteiras responsáveis pela pavimentação da BR-364 entre Sena Madureira e Cruzeiro do Sul, de acordo com a denúncia feita pelo Ministério Público em Tarauacá, Alexandre, quando diretor-presidente do Deracre (Departamento de Estradas e Rodagens do Acre), autorizou o pagamento dos contratos do governo com a Construmil, quando a prefeitura de Tarauacá pedia a suspenção por a empresa sonegar ISSQN (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza), principal tributo do município. 

À época do caso, em 2008, a Construmil devia de ISS em torno de R$ 10 milhões. Em valores corrigidos, a prefeitura de Tarauacá deixou de receber mais de R$ 25 milhões em tributos. O processo se arrasta em situação de segredo de Justiça.

Ao responder Sebastião Viana, a oposição ajuda a fazer o jogo do Palácio Rio Branco, mantendo Alexandre imune à situação vexatória já declarada pelo DNIT com relação a BR 364. Longe das aulas de engenharia que Marcus Alexandre dava como diretor do Deracre às comitivas de prefeitos e assessores organizadas pela AMAC [associação que ele agora preside], a rodovia precisa ser reconstruída.

Como diz outro velho ditado popular: Não há prazo que não se vença.

Sebastião Viana foi incompetente, não conseguiu concluir e nem inaugurar um trecho de 63 km que faltava quando assumiu o governo de Binho Marques. E agora, o prazo venceu, a casa caiu. Com seu jeito "esbelto" de ser, durante uma entrevista a um canal de TV local, Sebastião ainda culpou empresários de Cruzeiro do Sul pelo estado critico da rodovia, chamando-os, segundo o ac24horas, de "criminosos".

Tentando se livrar dos remendos e de consertar palavras soltas ao vento, ele agora sai novamente com a velha tática de generalizar a oposição e culpá-la pelas expectativas que ele e a companhia de Selva – muito bem paga com dinheiro público – criaram.


Daqui a pouco quando não tiver mais em quem jogar a culpa pelo fracasso da integração, Sebastião Viana é capaz de dizer que não concluiu a BR 364 pela vontade de Deus. Dessa turma eu não duvido nada. Binho Marques, quando jogou a toalha com relação à mesma obra, culpou o rigoroso inverno. 

Ainda bem que estamos na era digital e das redes sociais, veja com calma as imagens abaixo e conclua você mesmo quem são os artistas desse teatro pobre.




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