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domingo, 24 de janeiro de 2016

O paradoxo entre o PMDB de Vagner Sales e o de Everaldo Gomes

Que Vagner Sales e Everaldo Gomes têm o mesmo DNA – quando se fala em partido – disso ninguém tem dúvidas. Mas na engenharia das eleições de 2016, os cardeais peemedebistas carregam consigo uma grande indagação: qual o PMDB que queremos?

Enquanto Vagner Sales faz uma gestão de resultados inaugurando várias obras e ainda, coordenando o processo de escolha de seu sucessor, na fronteira, Everaldo Gomes, tem péssimos índices de rejeição e depende exclusivamente de Ademir Lopes para atrair os partidos de oposição ao seu palanque.

Até ai tudo bem, ninguém duvida da capacidade de Ademir Lopes unir os partidos de oposição, ele, inclusive, já demonstrou ter capital político para tal. Mas o que soma contra Ademir e Everaldo é a falta de resultados de uma gestão fraca, sem planejamento, que chega no seu quarto ano sem dizer a que veio. Os números não perdoaram.

A natureza também foi muito cruel. O prefeito enfrentou duas alagações históricas, não recebeu o apoio esperado nem do governo federal e muito menos de Sebastião Viana para recuperar a cidade e quando obteve recursos nas contas da prefeitura, teve mal êxito, cito como exemplo o projeto da Avenida Marinho Monte que por falta de gestão está paralisado. Além da rejeição popular, a dupla ganhou entre o final de 2015 e o início desse ano, a ira de comerciantes e empresários.

Enquanto Vagner Sales em Cruzeiro do Sul tem uma posição muito confortável, inclusive de ficar no plano de fundo e se movimentar de acordo a opinião pública, em Brasileia, o PMDB tende a ser o fiel da balança. Ou a sigla se aproxima do grupo formando por sete partidos de oposição e se mantém de alguma foram no poder, abrindo mão da cabeça de chapa, ou racha e assiste de camarote a Frente Popular voltar a administrar a cidade de fronteira que é estratégica para as eleições de 2018.

Resta saber qual será a movimentação do partido, levando-se em consideração que tudo passa pelo tabuleiro estadual. Além de Brasileia, o PMDB quer cabeça de chapa nas duas principais cidades do estado: Cruzeiro do Sul e Rio Branco. Tem fincado o pé também em Porto Acre, onde pretende lançar candidatura própria, indo de encontro o acordo feito por dez partidos em torno dos nomes de Daniel (PP) e Barãozinho (PSDB).

Essa movimentação do PMDB em torno de ascensão independente de quem esteja no poder parece histórica em nível nacional, mas, falando de Acre, o partido vai ter que abrir mão em algum desses lugares. Seus cardeais são inteligentes, sabem que na capital a deputada Eliane Sinhasique se projetou com condições de competir e ganhar a prefeitura e que esse cenário pode ficar mais favorável sem as fissuras do interior.

Eu acredito que a leitura peemedebista será no sentido de se beneficiar desse processo e vejo praticamente inviável a sobrevivência política de Everaldo Gomes e Ademir Lopes.


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