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terça-feira, 17 de novembro de 2015

O PT do Acre perdeu a fama de bom pagador



A partir do governo de Jorge Viana, inaugurando a década da Frente Popular do Acre na gestão pública, o estado construiu a fama de bom pagador. O funcionalismo público que vivia atrasos de três meses na folha de pagamento passou a ter em dia o seu salário e o estado, com o tempo, a levantar empréstimos internacionais e melhorar a qualidade dos investimentos públicos.
Isso foi fato.

O lamentável agora, é que a junção de alguns fatores recentes pode levar o Estado ainda governado pela Frente Popular e por um gestor petista, irmão de Jorge Viana, a perder essa saudável rotina que, com muita dificuldade, já durava quase duas décadas.

Além dos fatores nacionais que não podem ficar fora desse debate, o Brasil vive uma crise sem tamanho, não precisa ir muito longe para tal constatação. Uma voltinha pela Central de Organizações, a OCA, um cafezinho com qualquer servidor vinculado a alguma empresa terceirizada e a reclamação é geral.

O mais grave é que, além de atrasar a folha de pagamento em quase três meses para vários setores do governo, inclusive o da educação, o servidor ainda convive com o direito de não fazer greve, olha o tamanho da ironia, exatamente em uma gestão petistas, estes são ameaçados de terem contratos cortados, caso exponha publicamente a situação.

O quadro é o seguinte: o valor dos repasses financeiros obrigatórios da União, ocasionados pela queda na arrecadação, vem caindo significativamente. Como não circula dinheiro, o comércio vende menos, portanto, compra menos, o estado por tabela, arrecada menos. Está quebrada a linha de crescimento na arrecadação de impostos. Isso significa menos recursos entrando nos cofres públicos, consequentemente, falta de condições de manter a máquina pública inchada até o talo.

Como diz Arnaldo César Coelho, a regra é clara. O Acre agiu como o cidadão que passou os últimos anos ganhando polpudos bônux extras (leia-se empréstimos internacionais) gastando como se não houvesse o amanhã, e agora, não consegue manter o carro, os empregados, a casa e o padrão de vida dos tempos que se mostravam generosos.

E a oposição, embebedada pela possibilidade de vencer as eleições em 2016, caminha cega, sem explorar essa que foi nas últimas campanhas, a maior peça de marketing sempre que a Frente Popular se viu ameaçada de ganhar o poder. O jargão era único: se votar em fulano de tal vai voltar o atraso na folha de pagamento. 

E agora Sebastião?
Caiu no colo de vossa excelência a complicada equação. Fala-se que a Fazenda só tem dinheiro para mais um repasse de pagamento das chamadas terceirizadas.  E olha que nem estamos falando aqui dos pobres empresários. Não há recursos disponíveis para bancar muitos dos investimentos realizados nos últimos anos e muito menos realizar novos projetos de grande envergadura.

Entre tantas missões, uma das mais nobres parece ser levar o barco para que não vá a pique. O governo refaz contas todos os dias para livrar pelo menos o décimo terceiro. Mas, com relação ao ano que vem, bem isso só Deus pode prever.


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