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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Rocha colhe o que plantou na famosa "linha dura"


A postura do deputado federal Major Rocha (PSDB-AC) ao assumir os destinos do partido nos últimos dias me lembra muito a ala dos militares “linha dura” que defendia em 1964, a criação de um regime de força que afastasse completamente a “ameaça comunista”.

Nos dias atuais o Major deputado federal ataca quem não faz oposição no Acre e em Brasília de acordo com a sua visão política – uma delas de votar contra a presidente Dilma Rousseff – mesmo que isso signifique riscos para a governabilidade até de quem deve assumir o pais em um eventual impeachment.

Foi mais além. No início do mandato começou a divulgar pelas redes sociais os nomes dos deputados federais e senadores que votavam de encontro à sua regra, criando um desconforto total em sua relação com o PMDB de Flaviano Melo, o PP de Gladson Cameli e indo quase as vias de fato – um estilo do tucano de bico duro – com os deputados federais Alan Rick e César Messias, esses dois últimos nomes da Frente Popular do Acre no Congresso.

Ao assumir o partido em junho deste ano, Rocha de forma truculenta e sem mostrar nenhuma disposição para o diálogo, anunciou uma verdadeira “caça as bruxas” contra vereadores e prefeitos que, na sua visão, foram infiéis ao PSDB nas eleições de 2014 ou que em outra leitura, não trabalharam para lhe eleger deputado federal.

Ciscou para fora, plantou intolerância, fez política sem viabilizar condições para seus aliados e começou a colher esses frutos. É a lei da semeadura.

De cara perdeu dois prefeitos em regiões estratégicas, em seguida, dois vereadores em Rio Branco. E vem sofrendo um sério desgaste em Cruzeiro do Sul, onde, tenta passar por cima do prefeito Vagner Sales, ainda magoado por causa dos acontecimentos da sua última eleição. Está vivendo de passado. A política é muito dinâmica, não perdoa erros e é implacável com quem os comete.

Eu mesmo pessoalmente procurei o Major – que é meu amigo pessoal – para lhe pedir mais tolerância. Tomei café na casa dele em Rio Branco no nosso último encontro.

Na democracia a única coisa que não se pode tolerar é a intolerância dos adversários. Mas quem são os adversários do PSDB no Acre? Flaviano Melo, Gladson Cameli, Sérgio Petecão, Eliane Sinhasique, Vagner Sales, Bocalom?

Já dizia Ulisses Guimarães parafraseando Delfim Moreira: “Político cisca para dentro. Quem cisca para fora é galinha”.

Não tenho dúvidas, até porque trabalhei quatro anos ao seu lado, de que o Major Rocha é uma grande liderança política e que sua postura ética e transparente combina muito com os anseios da população do Acre, tanto é que, sem estrutura nenhuma, enganado pelas lideranças do próprio partido, conseguiu se eleger como o mais votado da oposição.


Eu tenho intolerância a muitas coisas, até entendo de certa forma a postura do deputado, mas é preciso compreender que quando há um sucesso, ele é de todos, não existe a estrela que brilha sozinha. E na política de aliados, quando há um problema, ele não é de um único partido, é de todos. Todos tem que estar juntos para resolver.


Ao tentar transferir os problemas criados por sua “linha dura” para os outros partidos, Rocha faz política, tudo bem, mas continua ciscando para fora.

Sozinho não se chega a lugar nenhum!

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