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terça-feira, 3 de junho de 2014

Que imagem os turistas levarão do Acre?


Agora os políticos ligados a presidente Dilma dizem que as obras inacabadas não eram para a Copa, mas para a nação brasileira. Tudo bem, então porque não fizeram antes?

O grande erro foi ter criado essa expectativa de que existiria no ano da Copa, um país com melhor mobilidade, com transporte de dignidade. Nem São Paulo, uma das maiores cidades do mundo foi capaz de criar uma linha expressa para transportar os profissionais que vão transmitir a Copa.

Para mim não tem nenhuma surpresa. Indícios de roubos escancarados. As obras nunca terminariam mesmo, nem hoje, e talvez nunca!

O bom é que o torcedor, o turista, o gringo – como quiserem chamar – não vem ao Brasil ver se essas obras foram ou não concluídas. Eles vêm para assistir aos jogos, frequentar os estádios, fazer turismo sexual, enfim... Fora isso pouco importa.

O grande gargalo dessa copa é a imagem que existe atrás do marketing carregado de um mágico sentimento de esperança.


No Acre, por exemplo, a secretária de turismo, Raquel Moreira, anunciou a passagem de 20 mil turistas. Estou pagando para vê. Vê-los tomando o nosso tacacá, comendo baixaria no Mercado do Bosque, a galinha caipira na Praia do Amapá, tirando fotos na Gameleira.

Mas que imagem eles levarão do Acre?

Do grande esgoto que corre a céu aberto no canal da maternidade? Os buracos no trecho da BR 364 rumo ao aeroporto? 


Quem arriscar ir à periferia, se não for assaltado, verá os bolsões de miséria que abrigam os 450 mil que dependem do Bolsa Família. Vão pisar na lama que enterra a moral de nossos gestores.

Opção não vai faltar. Na BR 317, além dos buracos, tem a Álcool Verde que não produz nada! Pagamos um dos combustíveis - que embora misturado - mais caros do Brasil.
Na passagem por Senador Guioma

rd – no turismo ambiental em busca dos históricos geoglifos – eles podem até fotografar a ZPE de empresas e empregos fantasmas.

Mas eles vão aos estádios!
Quem for ao estádio Arena da Floresta, no dia 10, assistir à final do campeonato acreano, vai encontrar um moderno espaço esportivo, bem construído, mas vazio, sem público e sem motivação, um elefante branco.

Efeitos do Rio Madeira?
Não, esse é o Acre que convive com uma única forma de governar por quase vinte anos. Que sofre com as entranhas instaladas no poder. Ninguém vai conseguir mudar essa imagem, nem as luzes verdes e amarelas do Palácio Rio Branco, as vitórias da seleção brasileira serão capazes de apagar essa marca. Esse é o jeito do PT nos governar.


E quem vai mudar essa rotina?
Todos são iguais. Concordo. Mas a alternância de poder é a única ferramenta capaz de interromper por algum tempo esse ciclo vicioso que assim como a Copa, de quatro em quatro anos, mexe com os nossos sonhos, com o futuro de nossas crianças, vendem fábricas de ilusões.

Não aconteceu transformação social e a grande cobrança é pelo legado da Copa. A gente muda, depois muda de novo. Alternância de poder garante a nossa vitória que é a democracia.

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