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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Quem vai consertar o telhado?



Há alguns dias a propaganda eleitoral gratuita está no ar em todo o Brasil. No Acre, a exemplo do cenário nacional, a péssima qualidade do debate é visível. O que temos assistido no horário nobre da TV são políticos falando do “telhado furado”, mas nenhum diz como irá consertá-lo. 


No programa de rádio que faço diariamente, na Boas Novas (FM 107,9) tenho levantado essa preocupação da falta de atitude do eleitor de discutir de maneira séria as saídas para o rompimento desse ciclo vicioso que se tornou a política brasileira.


Olhando para o Acre, por exemplo, o que a base do governo fez efetivamente para mudar a nossa qualidade de vida?


O presidente da OAB, Dr. Marcos Vinicius, foi perfeito quando cobrou dos gestores públicos um papo mais sério, honesto, com relação a segurança pública. Mas o que se viu em ato contínuo - além de um erro grosseiro de estratégia governista - foram políticos e até padres, mantendo essa campanha  de um jogo de perdas e ganhos e uma divisão do Acre entre eles e nós, como se apenas o PT e seus partidos aliados saibam a receita certa para os problemas enfrentados no quotidiano.


A segurança pública é apenas um dos exemplos capaz de mostrar o comprometimento dos parlamentares da tal base de sustentação ao governador Sebastião Viana. Dispostos ao continuísmo, eles encaram esse desgaste a qualquer preço, não estão preocupados com os efeitos dessa política. A insegurança saiu das camadas mais pobres, migrou para a classe mais alta, mas para os defensores desse modelo, ainda faz sol e não é preciso consertar o telhado.

Ou o eleitor se preocupa em estabelecer melhor essa relação de quem colocar no poder, de delegar alguém de nossa extrema confiança para chegar lá, de dirigir alguém, ou vamos continuar assistindo a esse ciclo, e ainda, sendo taxados de "urubus da notícia", profetas catastróficos e outros adjetivos.  

Com o aumento acima de 10% dado para o programa Bolsa Família - enquanto a correção do Imposto de Renda foi apenas de 4,5% - eu arrisco a dizer que vamos continuar assistindo ao marketing eleitoral que direciona nosso olhar para os 450 mil acreanos que dependem das migalhas (no bom sentido) do governo federal e que se sentem muito bem assim. Esse é o maior projeto de compra coletiva de votos. No Brasil, esse número de pessoas que dependem dos recursos transferidos pelo governo federal chega a 60 milhões.


O Marketing eleitoral se tornou em uma das grandes ciências da campanha da Frente Popular nos últimos anos. Tem sido assim com o Ruas do Povo, a BR 364, a Cidade do Povo, o PT tem sido competente em ridicularizar as reflexões e criticas da oposição. Toda vez que alguém fala em controle e qualidade dos gastos públicos, é colocado como político contra a geração de emprego; se relacionar o controle de investimento social com distribuição de renda, é rapidamente rotulado como contra os pobres.

Ou seja, estamos diante de um cenário que é uma grande armadilha, ninguém fala a verdade para o eleitor que acaba sendo incentivado a hipocrisia. Mesmo com a ferramenta poderosa nas mãos, o telhado vai continuando furado.

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