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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A coisa feita de cima para baixo

Essa portaria 443/14, assinada pela ministra do meio ambiente, Isabelle Teixeira, mostra claramente como o governo federal sofre com o mau planejamento.

O documento impede os empresários do setor madeireiro a coleta, corte, transporte, armazenamento, manejo, beneficiamento e comercialização de espécies consideradas em risco de extinção.

Até ai tudo bem, o problema é que, são muitos os questionamentos que ainda não foram respondidos causando uma insegurança jurídica ao setor. Os empresários em todo o Brasil ficaram alarmados. No Acre, representantes procuraram os deputados estaduais na manhã desta quinta-feira (19) na Assembleia Legislativa em busca de apoio político.

Os impactos da portaria – se não for revogada – serão estendidos aos setores: moveleiro, de cerâmica e até a construção civil. Das espécies reconhecidas como em risco de extinção na lista oficial publicada pelo governo, pelo menos três (cerejeira, cedro e angelim) são alvo de colheitas manejadas pelo setor do Acre.

Isso quebraria o estado que tem nesse ambiente, a sua única indústria forte, que emprega cerca de 20 mil pessoas.

Enquanto a ministra demora em esclarecer onde foram realizados os estudos que serviram de base para a deliberação, algumas empresas amargam prejuízos com produtos que já foram colhidos e estão no pátio para serem transportados e comercializados.

A miopia do governo federal atingiu até as comunidades tradicionais do Daime e União Vegetal. O cipó banisteriop caapi foi elencado na portaria, proibindo os centros usuários desta bebida milenar, de explorá-lo e transportá-lo.

Como disse no início, esse governo sofre com o mau planejamento. Projetos de gabinete nunca deram certo, muito menos no Brasil, um país com dimensões continentais, marcado por diferenças sociais e regionais. 

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