Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Vianas fazem beicinho e bajuladores oferecem mimos



Chororô, resmungado e muito beicinho foi o que fizeram semana passada os irmãos Sebastião e Jorge [os Vianas]. O primeiro, apontado como um dos favorecidos pelo maior esquema de corrupção já visto nesse país: o Petrolão; o segundo, incomodado com a popularidade do atual senador Gladson Cameli (PP-AC). Desafinados politicamente, mas afinados na crise, o gesto dos irmãos Vianas encontrou rapidamente alento.

Em nota, o prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre, falando, sabe-se lá como, em nome da sociedade acreana, aponta o seu criador [Sebastião Viana] quase como um “Jesus Cristo Ressuscitado”, referência e exemplo para a atual e futuras gerações. Alexandre parece ter sido leitor do livro recém-lançado nos Estados Unidos, escrito pelo jornalista Richard Stengel, editor da revista Time, que tem como título You’re Too Kind (Você é muito gentil), um verdadeiro – e talvez o primeiro – tratado sociológico da bajulação.

E nem precisava tanto, mas em uma sociedade onde tudo tem seu valor de troca, a fórmula utilizada pelo prefeito petista é um dos mais eficientes motores de uma sociedade hierárquica. Deve ter soado bem aos ouvidos do chefe. Depois de fracassar no processo eleitoral na tentativa de levantar a popularidade da comunista Perpétua Almeida em Rio Branco e amargando a primeira crise de popularidade após aumentar de forma abusiva a passagem de ônibus, Alexandre busca resultados.

Pois bem, dou outro lado do rapapé quem disparou contra o progressista Gladson Cameli foi seu futuro colega de parlamento, Jorge Viana. Longe de ser uma bajulação, como nos velhos tempos, Jorge destilou todo seu veneno ao chamar o progressista de prepotente. 

Olha só quem fala!

Tolice pura. Aliás, um erro de estratégia tremendo. Acostumado a ser celebridade por onde passava, Jorge Viana foi imperceptível durante a solenidade de diplomação do TRE. Longe dos holofotes e sem arrancar nenhum aplauso dos presentes – nem mesmo quando o irmão governador registrou sua presença – tal declaração pareceu mais “ciúmes” do que mesmo uma critica construtiva ao discurso de Cameli que diga-se de passagem, ainda surfa na estrondosa votação que teve no último dia 05 de outubro. Está nas graças do povo como diz o ditado popular.


Para quem abraçou o discurso da honestidade e da ética e implantou no cenário político a luta do bem contra o mal, quando a lama avança sobre os seus próprios pés e ameaça traga-los, é meio desesperador mesmo. Do ponto de vista político o chilique dos Vianas é entendível, não é nada fácil o odor fétido que exala no ambiente petista em todo o Brasil. 

Nenhum comentário: