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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Não queria investigar? Cadê o MP?




Quem assistiu os deputados federais arquivarem a PEC 37 depois de todos os movimentos das ruas pode ter pensado assim: agora vai!

Ora, a população encarnou o discurso de que a PEC 37 era inimiga da sociedade e do combate à corrupção. A maioria ainda acredita que o Ministério Público é uma instituição idônea, corajosa e capaz de afrontar os políticos. Eu acredito.

O que não consigo entender é por que o MP no Acre não tem sido capaz de investigar o não cumprimento da lei de acesso à informação por parte de nossos vereadores e dos deputados. Avançamos para a segunda quinzena de julho e nenhuma das Casas Legislativas implantou seus portais de transparência da forma como determina a lei.

Tudo bem, que neste cenário as coisas demoram mesmo a acontecer, ou a mudar, isso não é novidade nem para os acreanos e nem para o Brasil. Mas confesso que depois da resposta das ruas esperava mais agilidade por parte dos nossos promotores. Afinal: “o gigante acordou!”

A impressão que se dá é que existe muita “podridão” por trás dos números que os legisladores do Acre nos escondem. Vez e outra algum deputado ameaça abrir essa “caixa preta”, mas sempre tem um líder que consegue abafar o caso e assim os anos vão se passando sem que nós, pobres mortais, saibamos como, onde e como eles gastam suas verbas indenizatórias, gratificações, diárias, pagamentos extraordinários, e por ai vai.

Estou ansioso para ter acesso ao relatório prometido pelo deputado Moises Diniz, do PCdoB, que mostra o Poder Legislativo Estadual como um dos mais enxutos do país. Até agora ficou somente na promessa.

Pior exemplo passam nossos vereadores que sequer tem um site no ar. E detalhes, foram eles que tiveram o maior aumento de salários do Brasil. Ajustaram verbas de gabinete, indenizatórias, mas ficam de mal se falarmos em publicar tais atos. Que pobreza. Por enquanto, eles juram que publicam suas prestações de contas no mural do prédio alugado no Segundo Distrito.

Não quero crer que o Ministério Público esquive-se de sua almejada atribuição: a de investigar. Mas é necessário que os parlamentares esclareçam seus gastos e saiam dessa transparência de papel onde os eleitos pelo povo continuem com o discurso de que reafirmam seu compromisso com a legalidade e a transparência.
Que transparência? Onde?

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