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terça-feira, 13 de junho de 2017

A segurança pública e os números da incompetência



O pré-candidato do Palácio Rio Branco, secretário de segurança pública Emylson Farias deu mais um passo atrás quando tenta iludir a opinião pública afirmando que o estado vem diminuindo o número de homicídios.

Farias usou uma maquiagem barata, dados do Atlas da Violência no Brasil entre 2005 e 2015. Por esses números, o Acre tem a menor taxa de homicídios da região Norte e ficou em 9º entre os menores índices de violência do país.

O que o pré-candidato ao governo escondeu da população são os dados assustadores do ano passado, quando o número de assassinatos deu um verdadeiro salto. Foram registrados 355 homicídios: matava-se, em média, uma pessoa por dia. Essa quantidade chega a ser 120% maior que 2015.

Tá achando pouco? Nos primeiros quatro meses desse ano, foram 166 homicídios. Em 2016, eram 30, mensalmente. Pior do que isso é o pré-candidato ao Palácio Rio Branco esconder outros números e nomes.

Quem morre no estado do Acre?

Como elaborar políticas públicas sem saber o perfil de quem está sendo assassinado?

Isso nos leva a crer que políticas públicas nessa área seguem em um barco sem bússola, ao sabor dos ventos. Mas fácil é responsabilizar as guerras entre grupos de traficantes pelos números assustadores, é uma espécie de, transferência de responsabilidade ou irresponsabilidade.

O secretário e pré-candidato já teve tempo de aprender que soluções eficazes e viáveis devem necessariamente ser discutidas com a sociedade civil. Medidas criadas às pressas em gabinetes de um governo que se esconde da opinião pública tem poucas chances de significar real enfrentamento à violência.

A realidade nua e crua é que nossa sociedade continua com medo, acuada, isolada dentro de seu patrimônio. Farias bem que poderia andar mais – com colete à prova de balas – na região da Cidade do Povo, no município de Sena Madureira para ver de perto, longe do ar-condicionado, como anda a insegurança no estado que ele pretende governar.

O governo parece entrar para a ‘bancada da bala’, famosa pelo jargão de que bandido bom, é bandido morto. Esse aliás é o pensamento de muita gente cansada de viver insegura. Muitos apostam que esse discurso ganha eleição.

Talvez por isso, depois que foi alçado como pré-candidato pelo governador, Emylson alinhou seu discurso mostrando que nossa polícia é a que mais prende, reforçando a ideia de superlotação dos presídios e ao mesmo tempo falando em pacificação. Um debate esdrúxulo.

Visivelmente essa gestão deixa transparecer que nunca quis, de fato, acabar com o problema, esticou demasiadamente a corda evitando investimentos primordiais para cortar o mal pela raiz. Por motivos ainda não revelados, nosso secretário foi muito tímido nas soluções de combate à violência. Há quase uma década como pessoa influente do sistema, foi incapaz de apresentar um projeto de segurança pública.

A sociedade espera muito mais. A noção de cidadania é descredenciada a cada roubo e furto, deslegitimada pela corrupção que atinge em cheio o partido dos trabalhadores e outras siglas, fragmentada diante da convivência diária com a injustiça.




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