segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Viagem a Machu Picchu - Parte III



Não há dificuldades para encontrar referências sobre a Doutrina do Daime no Peru. No centro histórico de Cusco na Calle Santa Teresa, 351, o Museo de Plantas Sagradas Mágicas Y Medicinales, dedica uma sala inteira à história da Ayahuasca, considerada aqui como ciência indígena de la consciência. Com 15 s/ é possível ter acesso ao espaço com meia luz e música de meditação onde estão expostos quadros com textos e fotografias. Um deles se refere ao Mestre Irineu de forma muito superficial, como sendo oriundo do candomblé e igualado a Sebastião Mota de Melo, como homem que expandiu a bebida sagrada para o mundo.

Não podemos nem condená-los pelo lapso histórico. A falha maior é dos que se consideram “continuadores ou donos” da doutrina que há décadas veem omitindo em informar a história de Raimundo Irineu Serra. As fotos existentes no espaço, por exemplo, mostram Igrejas do Cefluris, em uma delas, a imagem de Alfredo Mota ao centro de um batalhão de seguidores com fardas e vestimentas que diferem da original. 

Para aprofundar os conhecimentos da doutrina com base na história Inca é preciso investir cerca de US$ 200 [dólares] por pessoa. Para visitar Machu Picchu me desloquei junto com Geane e Fernanda da Praça das Armas até a cidade Ollantaytambo, cerca de duas horas de ônibus. De lá, partimos de trem até Águas Calientes. É mais uma hora e quarenta minutos de viagem pelas margens do Rio Urubamba, um dos afluentes do Rio Amazonas que em território peruano, tem uma força de correntes incomparável. 

A viagem a partir de Urubamba é mágica. A cada quilômetro avançado rumo a Machu Picchu, parece que nos desprendemos de um mundo para outro, tamanha é a perfeição da natureza que vamos encontrando à nossa frente.As casas pelo caminho, são de camponeses que parecem não se importarem muito com o capitalismo. É tudo muito perfeito. 

O pacote inclui além das passagens de ônibus e trem, ingressos e hospedagem na cidade de Águas Calientes. Localizada no meio das montanhas Incas, chegamos a região dominada pelos mistérios do sol, no finalzinho da tarde. Uma chuva fina nos deu boas vindas. Águas Calientes possuiu piscinas naturais de águas quentes, conhecidas por suas propriedades medicinais chamadas de Baños Termales.

No centro do vilarejo, as nuvens que se movimentam por entre as montanhas e o barulho constante das águas nos dão a sensação de estarmos em uma corrente vibratória de muita energia de amor e paz. O ar mais puro e altitude mais baixa, em torno de 2.200 metros acima do nível do mar, permite que pisemos com mais força ao chão. A chegada foi emocionante e ao mesmo tempo impactante. Um mistura de civilização com montanhas e água, muita água.

As ruas são sinalizadas com nomes de Reis Incas. Ficamos em um hotel no alto do morro com uma vista impressionante de uma das montanhas Incas. Há toda uma infraestrutura na cidade, desde restaurantes até salões de beleza, tudo à disposição dos turistas. O ritmo dos trens e dos ônibus torna o local ainda mais mágico.

As 8h da manhã de sexta-feira (06) subimos de ônibus no Vale Sagrado. São mais vinte minutos até Machu Picchu. Um guia de nome Jorge nos esperava na área de entrada da cidade histórica. Após algumas orientações finalmente entramos na cidade misteriosa. Tudo incluído no pacote.

Acredito que todo pesquisador e escritor que se propõe a falar sobre a doutrina do Daime devem visitar o santuário e conhecer um pouco mais a fundo os mistérios que foram implantados por essa civilização. Já havia escrito com base em pesquisas feitas na Universidade de Brasília algo sobre as relações entre a doutrina do Mestre Irineu e os Incas. Mas nada é comparável a visita. Confesso que precisarei um pouco mais de tempo para descrever melhor todas as relações existentes entre os modelos de vidas. Nada construído por eles foi à toa. Tudo tem sentido com o amor à natureza. Melhor ainda, com a perfeita convivência entre o homem e a floresta, os elementos sagrados.

Recomendo aos que dizem ser “continuadores ou donos” desta doutrina, já que perderam a capacidade da sintonia entre presente e passado, fazer o exercício histórico de vir até Machu Picchu. Assim quem sabe, podem evitar que novas deformações aconteçam na doutrina e na arquitetura de obras que foram erguidas pelo Mestre Irineu no entorno do Alto Santo, inspirada na perfeita sintonia com a civilização Inca. Aqui se confirma o que até agora foi escrito apenas como lenda. É estreita a relação entre as civilizações ancestrais com a Doutrina difundida pelo Mestre Irineu. Não há dúvidas.

Revelarei mais detalhes com base nesses mistérios no livro: “Vovô Irineu” todos vão se recordar e começar do Abc. Deixei Machu Picchu nesta sexta-feira, 06 de Janeiro, com a certeza de que os Três Reis do Oriente me deram um grande presente: o de ampliação dos conhecimentos à cerca da Doutrina do Daime. Uma volta ao passado. O Estudo da Vida. Não há palavras que possam descrever tanta beleza. Continuo afirmando que o mundo precisa conhecer esse universo de pensamentos. Reforço à ideia de aperfeiçoarmos a cada dia a doutrina fundada por Raimundo Irineu Serra.


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