A partir de Quincemil começa a subida a Cordilheira. A primeira serra chama-se Santa Rosa. Além de mudar a paisagem, muda também o clima. Por volta das 3h da tarde, quando começamos a subida, enfrentamos uma temperatura em torno de 10º C no ponto mais alto a 4.725 metros acima do nível do mar, temperatura que se torna praticamente constante durante todo o percurso até chegar a Cuzco.
A subida é lenta. Além dos efeitos da altitude, o traçado é bem sinuoso, a pista estreita nos contornos das serras exige muita atenção de quem está ao volante. A impressão é que não saímos do canto. A pressão é grande, os abismos estão sempre ao lado. Qualquer erro pode ser fatal. Há vários trechos em que existem poças de água que descem da cordilheira pelo meio da pista. Outros pontos têm enormes pedras que desabam das montanhas após as chuvas. Há momentos em que somos obrigados a parar e esperar homens e máquinas desobstruírem a rodovia.
O governo é muito cuidadoso, existe manutenção diária dos trechos com risco de desabamentos. Neste contexto, é imprevisível se dizer em quantas horas vamos percorrer o trecho de mais de 400 km entre Puerto Maldonado e Cuzco. A previsão é de oito a doze horas. O maior problema é o traçado da rodovia construída entre as montanhas. Tem locais que só conseguimos deslocar o veículo utilizando marchas de força como primeira, segunda e terceira.
A compensação é o cenário paradisíaco. O Rio Madre de Dios e seus vários afluentes nos acompanha durante todo o percurso. A forte correnteza misturada às pedras contracena com as tonalidades verdes da floresta fechada que forma toda cordilheira. Várias cachoeiras que despencam dos morros formam um espetáculo indescritível. Somente quem passa pela região é capaz de ver tanta perfeição. Aqui, Deus mostra sua presença das mais variadas formas. As vezes confundimos a viagem com um grande sonho, uma miração. Todo o universo está em volto de muito mistério. No pico das montanhas, a forte e quase constante neblina torna o cenário ainda mais perfeito. O número de moradores nos pequenos vilarejos também diminui. Mas eles estão nos lugares mais inimagináveis.
Quando pensamos que já vencemos a altitude, voltamos a subir. A sensação é de que não vamos mais descer ao nível do mar. Há outro ponto alto na cordilheira em que atingimos 4.100 metros. Já próximo de Urco [última cidade antes de Cuzco] é que começamos a descer sem parar. Cidades próximas parecem soterradas. O percurso é ainda mais lento e parece se repetir a cada curva ou trecho mais sinuoso. A descida é espetacular.
Chegamos a Cuzco eram 21 horas. Foram doze horas de viagem. Entramos pela Avenida de La Cultura um corredor que atravessa toda cidade até a Praça das Armas, centro histórico da cidade onde se encontra de tudo, desde massagem para o corpo, até Igrejas, casas noturnas, de cambio, uma infinidade de agências de viagens, centros de artesanatos, museus, ruas estreitas e muita gente vivendo do turismo.
Há quase setenta e duas horas na cidade, não consegui ainda sair da região central. A noite é uma beleza, a iluminação da praça central se confunde com o por do sol. A temperatura cai para casa dos 6ºC e torna a vida noturna ainda mais gostosa.
Passei grande parte do dia pesquisando preços para ir a Machu Picchu. Há todos os tipos de pacotes. Nesta quarta-feira, dediquei à tarde para pesquisas históricas no Musel das Plantas Sagradas Mágicas e Medicinais. Não tive dificuldades de encontrar a história da Ayahuasca, capítulo que contarei na próxima postagem.
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